2001 / LETRAS - "DE VOLTA PRO INTERIOR"

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CD 24

 

1. BEIJINHO DOCE
Composição: Nho Pai



Que beijinho doce
Que ela tem
Depois que beijei ela
Nunca mais beijei ninguém

Que beijinho doce
Foi ela quem trouxe
De longe pra mim
Um abraço apertado
Um suspiro dobrado
Um amor sem fim 

Coração que manda
Quando a gente ama
Se estou junto dela
Sem dar um beijinho 
Coração reclama



2. CABECINHA NO OMBRO
Composição: Paulo Borges



Encosta a tua cabecinha
No meu ombro e chora
E conta logo a tua mágoa
Toda para mim

Quem chora no meu ombro
Eu juro que não vai embora
Que não vai embora
Que não vai embora

Quem chora no meu ombro
Eu juro que não vai embora
Que não vai embora
Porque gosta de mim

Amor
Eu quero o teu carinho
Porque eu vivo tão sozinho

Não sei se a saudade fica
Ou se ela vai embora
Se ela vai embora
Se ela vai embora

Não sei se a saudade fica
Ou se ela vai embora
Se ela vai embora
Porque gosta de mim



3. CANÇÃO DA MEIA-NOITE
Composição: Zé Flávio



Quando à meia-noite
Me encontrar
Junto à você
Algo diferente vou sentir
Vou precisar me esconder

Na sombra da lua cheia
Esse medo de ser
Um vampiro, um lobisomem, um saci pererê

Dona senhora
Meia-noite eu canto
Essa canção anormal

Dona senhora
Essa lua cheia
Meu corpo treme
O que será de mim?
Que faço força 
Pra resistir a toda essa tentação

Na sombra da lua cheia
Esse medo de ser
Um vampiro, um lobisomem, um saci pererê



4. CASINHA BRANCA
Composição: Gilson, Joran



Tenho andado tão sozinho ultimamente
Que nem vejo em minha frente
Nada que me dê prazer

Sinto cada vez mais longe a felicidade
Vendo em minha mocidade
Tanto sonho perecer

Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher

Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal  e uma janela 
Para ver o sol nascer

Às vezes saio a caminhar pela cidade
À procura de amizade
Vou seguindo a multidão

Mas eu me retraio, olhando em cada rosto
Cada um tem seu mistério
Seu sofrer, sua ilusão



5. DE VOLTA PRO INTERIOR
Composição: Dalto, Cláudio Rabello



No fim do ônibus vejo
Eu indo pro interior
Meus olhos brilham estrelas
Ela nem sabe que eu vou

Largo na estrada
Rastro de amor
De madrugada
Quem me mandou
Te querer tanto
E ir tão longe até ficar
Carregadinho de amor?
De volta pro interior

De vez em quando no vento
Um cheiro de hortelã
Olho o relógio, é tempo
Do sol trazer a manhã

Por essa estrada
Passa o amor
De madrugada
Quem me mandou
Te querer tanto
E ir tão longe até ficar
Carregadinho de amor?
De volta pro interior



6. INDIFERENÇA
Composição: José Augusto



A gente já não fala mais de amor
A gente já não liga mais pra nada
Você não sabe mais da minha noite
Se chego cedo ou de madrugada

Você já não é a mesma que era antes
Seu corpo já não quer saber do meu
Você não sabe mais dos meus problemas
E não me deixa resolver os seus

Não deixe tudo terminar assim
Eu sei que ainda existe amor
Não vale a pena, tente entender
A vida não tem graça sem você

Eu lembro quando nós nos conhecemos
Havia mais desejo em nosso olhar
Aquele nosso beijo apaixonado
Uma vontade louca de se amar

E agora tudo isso está morrendo
O que era lindo já não tem valor
Você com essa sua indiferença
Esta matando aos poucos nosso amor



7. O MENINO DA PORTEIRA
Composição: Luizinho, Teddy Vieira



Toda vez que eu viajava pela estrada de Ouro Fino
De longe eu avistava a figura de um menino
Que corria, abria a porteira, depois vinha me pedindo:
"Toque o berrante, seu moço, que é pra eu ficar ouvindo"

Quando a boiada passava e a poeira ia baixando
Eu jogava uma moeda e ele saia pulando
"Obrigado boiadeiro, que Deus vá lhe acompanhando"
Pra aquele sertão afora, meu berrante ia tocando

No caminho desta vida, muito espinho eu encontrei
Mas nenhum calou mais fundo do que isto que eu passei
Na minha viagem de volta, qualquer coisa eu cismei
Vendo a porteira fechada, o menino não avistei

Apeei do meu cavalo, no ranchinho à beira chão
Vi uma mulher chorando, quis saber qual a razão
"Boiadeiro, veio tarde, veja a cruz no estradão
Quem matou meu filhinho foi um boi sem coração"

Lá pras bandas de Ouro Fino, levando o gado selvagem
Quando eu passo na porteira, até vejo sua imagem
O seu rangido tão triste mais parece uma mensagem
Daquele rosto trigueiro desejando-me boa viagem

A cruzinha do estradão, do meu pensamento não sai
Eu já fiz um juramento que não esqueço jamais
Nem que o meu gado estoure, que eu precise ir atrás
Neste pedaço de chão, berrante eu não toco mais



8. MEU PRIMEIRO AMOR (LEJANIA)
Composição: Hermínio Gimenez
Versão: José Fortuna, Pinheirinho Júnior



Saudade, palavra triste
Quando se perde um grande amor
Na estrada longa da vida
Eu vou chorando a minha dor

Igual a uma borboleta
Vagando triste por sob a flor
Seu nome sempre em meu lábios
Irei chamando por onde for

Você nem sequer se lembra
De ouvir a voz desse sofredor
Que implora por seu carinho
Por um pouquinho do seu amor

Meu primeiro amor
Tão cedo acabou
Só a dor deixou
Neste peito meu

Meu primeiro amor
Foi como uma flor
Que desabrochou
E logo morreu

Nesta solidão, sem ter alegria
O que me alivia são meus tristes ais
São prantos de dor que dos olhos caem
É porque bem sei, quem eu tanto amei 
Não verei jamais



9. NO RANCHO FUNDO
Composição: Lamartine Babo, Ary Barroso



No Rancho Fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade

No Rancho Fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno canta as mágoas
Tendo os olhos rasos d'água

Pobre moreno
Que de noite no sereno
Espera a lua no terreiro
Tendo o cigarro por companheiro

Sem um aceno
Ele pega na viola
E a lua por esmola
Vem pro quintal desse moreno

No Rancho Fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Nunca mais houve alegria
Nem de noite, nem de dia

Os arvoredos
Já não contam mais segredos
E a última palmeira
Já morreu na cordilheira

Os passarinhos internaram-se nos ninhos
De tão triste essa tristeza
Enche de trevas a natureza

Tudo por quê?
Só por causa do moreno
Que era grande, hoje é pequeno
Para uma casinha de sapê

Se Deus soubesse
Da tristeza lá na Serra
Mandaria lá pra cima
Todo o amor que há na Terra

Porque o moreno
Vive louco de saudade
Só por causa do veneno
Das mulheres da cidade

Ele que era
O cantor da primavera
Que até fez do Rancho Fundo
O céu melhor que tem no mundo

Se uma flor desabrocha
E o sol queimando
A montanha vai gelando
Lembrando o aroma da morena



10. POR ENTRE OS DEDOS
Composição: José Augusto



Muitas vezes eu não quero admitir
Que morro de saudade
Eu não vou deixar ninguém me ver fingir
Mentir o que é verdade
Aprendi a conviver com a solidão
Eu falo até sozinho
Quantas vezes eu chorei
Com as pedras que encontrei pelo caminho

Eu que tinha tantos planos pra pensar
E um monte de desejos
Tantos sonhos que eu queria realizar
Que agora já não vejo
Tive tudo o que queria em minha mão
E hoje tenho medo
Sei que tudo o que perdi
Fui eu mesmo deixei fugir por entre os dedos

Sei que todo caso de amor é assim
Quando a gente erra sempre chora no fim
Faço qualquer coisa pra você perdoar
Tudo só pra você voltar



11. TOADA (NA DIREÇÃO DO DIA)
Composição: Cláudio Nucci, Zé Renato, Juca Filho



Vem
Morena, ouvir comigo essa cantiga
Sair por essa vida aventureira
Tanta toada eu trago na viola
Pra ver você mais feliz

Escuta o trem de ferro
Alegre a cantar
Na reta da chegada
Pra descansar
No coração sereno da toada
Bem-querer

Tanta saudade eu já senti
Morena
Mas que coisa tão bonita da vida
Nunca vou me arrepender

Escuta o trem de ferro
Alegre a cantar
Na reta da chegada
Pra descansar
No coração sereno da toada
Bem-querer



12. TOCANDO EM FRENTE
Composição: Almir Sater, Renato Teixeira



Ando devagar porque já tive pressa 
Levo esse sorriso, porque já chorei demais 
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz quem sabe 
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei 

Conhecer as manhas e as manhãs 
O sabor das massas e das maçãs 
É preciso o amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente 
Compreender a marcha e ir tocando em frente 
Como um velho boiadeiro levando a boiada 
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada eu vou,  
Estrada eu sou 

Conhecer as manhas e as manhãs 
O sabor das massas e das maçãs 
É preciso o amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora 
Um dia a gente chega
E no outro vai embora 

Cada um de nós compõe a sua história, 
Cada ser em si, carrega o dom de ser capaz  
E ser feliz 

Conhecer as manhas e as manhãs 
O sabor das massas e das maçãs 
É preciso o amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa 
Levo esse sorriso, porque já chorei demais 
Cada um de nós compõe a sua história, 
Cada ser em si, carrega o dom de ser capaz  
E ser feliz 
 


13. VIDA CIGANA
Composição: Geraldo Espíndola



Oh! Meu amor
Não fique triste
Saudade existe pra quem sabe ter
Minha vida cigana
Me afastou de você
Por algum tempo vou ter que viver
Por aqui
Longe de você
Longe do seu caminho
E do seu olhar
Que me acompanha
Tem muito tempo
Penso em você a cada momento
Sou água de rio
Que vai para o mar
Sou nuvem nova que vem pra molhar
Essa noiva
Que é você
Para mim você é linda
A dona do meu coração
Que bate tanto
Quando lhe vê
É a verdade que me faz viver
Meu coração bate tanto quando lhe vê
É a verdade que me faz viver



14. A VIDA DO VIAJANTE
Composição: Luiz Gonzaga, Hervé Cordovil



Minha vida é andar por esse País
Pra ver se um dia descanso feliz
Guardando as recordações
Das terras onde passei
Andando pelos sertões
E dos amigos que lá deixei

Chuva e sol
Poeira e carvão
Longe de casa, sigo o roteiro
Mais uma estação
E alegria no coração

Minha vida é andar por esse País
Pra ver se um dia descanso feliz
Guardando as recordações
Das terras onde passei
Andando pelos sertões
E dos amigos que lá deixei

Mar e terra
Inverno e verão
Mostro o sorriso
Mostro a alegria
Mas eu mesmo não
E a saudade no coração


PRODUÇÃO: ABRIL MUSIC